14 Set “O desenho esfumado”
“Luana, a funcionária, vem à porta e cumprimenta-a, mas ela não se lembra que a rapariga de cabelo ruivo e franja pequenina se chama Luana, nem que fala com o mel do Brasil, nem que se conhecem por terem passado dias a conversar sobre o Rio de Janeiro, cidade natal de uma, cidade fetiche de outra.”
Neste excerto de “O desenho esfumado”, Lénia Rufino mostra-nos como a perda de memória pode alcançar muito mais do que um nome: pode interromper o acesso a uma voz, a uma história e a uma relação construída.
Um esquecimento isolado não significa demência!
Mas, alterações persistentes da memória, da orientação ou da capacidade de reconhecer pessoas e lugares não devem ser ignoradas.
Ao longo do Mês Mundial da Doença de Alzheimer, damos voz a um texto que chama a atenção para uma realidade particularmente sensível: a “demência de início precoce”.
Texto de Lénia Rufino, publicado originalmente na Revista Visão e republicado pelas Obras Sociais Viseu com a devida autorização da revista e da autora.
Quanto mais cedo souber, mais pode fazer.